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Uma imagem de um livro de geografia de 1948 traz uma lição que continua extremamente atual.
11/08/2026 Texto: Antônio Cabrera

Cada ponto representa 5 mil suínos nos Estados Unidos. Repare onde eles estão concentrados: no chamado Corn Belt, a região que também concentra a produção de milho — Iowa, Illinois, Indiana.
O suíno não fica onde há tradição ou porto. Ele fica onde tem milho.
Isso não é coincidência. A maior parte do custo de produção de suínos está na alimentação. Levar o milho até os animais é muito mais caro do que levar carne até os consumidores. Por isso, os americanos aproximaram a suinocultura da produção de grãos e construíram uma das cadeias mais eficientes do mundo.
O Brasil caminha na mesma direção, mas ainda não aprendeu essa lição por completo. Com o crescimento da produção de milho em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, é natural que uma parcela cada vez maior da suinocultura migre para o Centro-Oeste, agregando valor antes da exportação e reduzindo custo logístico.
É a mesma força que moveu o mapa americano em 1948 chegando, com décadas de atraso, ao Brasil.
Mas há um obstáculo importante. A reforma tributária deveria incentivar exatamente esse movimento de industrialização perto da produção agrícola. Em vez disso, faz o oposto: a carne suína in natura paga alíquota zero, mas o embutido, a linguiça, o produto processado — o que emprega gente, agrega valor e exporta melhor — pode pagar a alíquota cheia de 28%. Industrializar, no desenho atual da reforma, custa caro.
O Brasil já mostrou que sabe produzir milho. O próximo passo é transformar cada vez mais esse milho em carne, emprego, renda e exportação de maior valor agregado.
A lição do mapa de 1948 é simples: o milho decide onde o porco vive.
A geografia continua ensinando economia. Resta saber se a política tributária vai aprender a mesma lição.



