Notícias
Sem Juliana e Zucco, setor de carnes, leite e ovos leva demandas a pré-candidatos ao governo do RS
25/06/2026
Entidades reuniram Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB) em um painel nesta quarta-feira (24), na Capital
Uma das principais atividades do agronegócio gaúcho, o setor de carnes, leite e ovos reuniu pré-candidatos ao governo do Estado nesta quarta-feira (24), no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre, para apresentar reivindicações e ouvir propostas voltadas à produção e à industria. Participaram do encontro Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB). Já Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) não compareceram — ausências, aliás, criticadas pelos representantes das cadeias produtivas na ocasião.
As demandas variaram de proteína para proteína, mas convergiram em temas como competitividade, infraestrutura, acesso a mercados e redução de custos. O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Guilherme Portella, por exemplo, afirmou que o setor leiteiro ainda enfrenta dificuldades decorrentes das importações de países do Mercosul.
Presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen destacou a necessidade de recuperar espaço para a pecuária de corte no Estado. Segundo o dirigente, a migração de áreas para agricultura e silvicultura reduziu a oferta de matéria-prima para a indústria, que atualmente opera com capacidade ociosa.
Pela avicultura, José Eduardo dos Santos, da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e do Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas no Estado do Rio Grande do Sul (Sipargs), reforçou a necessidade de políticas que aumentem a competitividade do Rio Grande do Sul diante de outros Estados. Entre os principais pontos apresentados esteve o incentivo à produção local de milho para abastecimento das cadeias de proteína animal.
Já José Roberto Fraga Goulart, do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do RS (Sips), afirmou que asuinocultura enfrenta gargalos ligados ao abastecimento de grãos, mão de obra e logística. Goulart destacou que o Estado ainda depende da importação de milho de outras regiões do país e do exterior, elevando custos para o setor.
As propostas
Após a apresentação das demandas, os dois pré-candidatos presentes tiveram 15 minutos para expor propostas relacionadas ao desenvolvimento econômico e ao agronegócio. Depois, responderam a oito perguntas das entidades.
Gabriel Souza (MDB)
Gabriel Souza enfatizou medidas já implementadas pela atual gestão e apresentou propostas voltadas ao aumento da competitividade do agronegócio gaúcho. Entre os compromissos assumidos, destacou o fortalecimento da defesa sanitária animal, a ampliação da abertura de mercados internacionais para as proteínas produzidas no Estado e a atração de novos investimentos para a agroindústria.
No debate sobre a cadeia leiteira, afirmou que pretende encaminhar mudanças na legislação para permitir a utilização dos recursos do Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Fundoleite) por meio de subvenção econômica direta aos produtores. Também defendeu a criação de mecanismos para compensar possíveis perdas de competitividade decorrentes da reforma tributária e ampliar o apoio ao setor.
Em relação à produção animal, Souza voltou a defender a expansão da irrigação como estratégia para aumentar a produção de milho, principal insumo das cadeias de aves e suínos. Também propôs incentivos para a retenção de animais no Estado, com o objetivo de ampliar o processamento local, fortalecer a indústria frigorífica e gerar mais valor agregado dentro do Rio Grande do Sul.
Em resumo:
- Fortalecer a defesa sanitária animal.
- Abrir novos mercados de exportação.
- Atrair investimentos para a cadeia de proteína animal.
- Investir pesado em ensino técnico voltado ao agro.
- Criar mecanismos para compensar perdas da reforma tributária.
- Usar recursos do Fundo Leite para subvenções e assistência técnica.
- Ampliar irrigação e programas de incentivo à produção de milho.
- Melhorar a logística, especialmente ferroviária.
Marcelo Maranata (PSDB)
Já Marcelo Maranata concentrou suas respostas em propostas voltadas à ampliação do acesso ao crédito, à redução dos custos de produção e ao fortalecimento da competitividade do agronegócio gaúcho. O pré-candidato defendeu a criação de linhas de financiamento com juros mais baixos, a implantação de um fundo garantidor e a atuação do Banrisul como instrumento de apoio ao setor produtivo.
Ao tratar das cadeias de proteína animal e da produção de milho, principal insumo para a alimentação de aves e suínos, Maranata afirmou que o crescimento da atividade passa pela ampliação dos investimentos nas propriedades rurais. Também defendeu a renegociação das dívidas dos produtores, a expansão da irrigação e a aplicação dos recursos do Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Fundoleite) diretamente em ações de fortalecimento do setor.
Nas discussões sobre desenvolvimento regional, voltou a defender a criação de um Fundo Constitucional para a Região Sul e de uma estrutura específica para impulsionar a Metade Sul do Estado. Também destacou a necessidade de investimentos em portos, hidrovias e ferrovias para reduzir custos logísticos, ampliar a capacidade de escoamento da produção e atrair novos empreendimentos para o Rio Grande do Sul.
Em resumo:
- Criar o Banrisul Agro e ampliar o crédito rural.
- Implantar fundo garantidor para facilitar financiamentos.
- Renegociar dívidas dos produtores.
- Expandir a irrigação com financiamento mais acessível.
- Aplicar recursos do Fundo Leite diretamente no setor.
- Criar um Fundo Constitucional para a Região Sul.
- Implantar uma Secretaria Especial para a Metade Sul.
- Investir em portos, hidrovias e obras logísticas.
- Revisar custos e burocracias que afetam a produção.
Ausências
Conforme a colunista Rosane de Oliveira, Juliana alegou ter procedimento de saúde marcado. Zucco optou por visitar a CMPC, em Guaíba.
O setor lamentou o ocorrido e disse ter sido informado sobre as duas ausências na véspera do evento.
Fonte: GZH



