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Preço da carne suína recua no Brasil com excesso de oferta e mercado ainda fragilizado

24/07/2026

Cotações do suíno vivo e dos principais cortes caíram na semana, enquanto frigoríficos mantêm cautela diante do consumo interno enfraquecido e margens pressionadas para os produtores.

O mercado brasileiro de carne suína segue pressionado, com predominância de quedas nos preços do suíno vivo e dos principais cortes comercializados no atacado. O cenário de fragilidade permanece, segundo análise da Safras & Mercado, diante de uma oferta considerada elevada em relação ao ritmo atual de negócios e de uma demanda interna ainda sem força para sustentar recuperação das cotações.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, os frigoríficos seguem adotando uma postura mais cautelosa, avaliando que a disponibilidade de animais está acima das necessidades imediatas do mercado.

Além disso, os cortes suínos continuam enfrentando dificuldades no atacado, sem sinais consistentes de retomada no curto prazo.

Mercado suíno enfrenta pressão com consumo interno enfraquecido

Segundo Maia, a demanda na ponta final da cadeia tende a sofrer impacto do menor poder de compra do consumidor até o encerramento do mês.

Outro fator observado pelo mercado é o comportamento da carne de frango, principal proteína concorrente da carne suína. Com sinais de aumento da oferta e redução de preços em algumas regiões, o produto avícola perde vantagem competitiva em relação aos cortes suínos.

“A evolução da carne de frango está no radar do setor, pois uma maior disponibilidade da proteína concorrente pode afetar negativamente a atratividade dos cortes suínos”, avalia o analista.

Suinocultores enfrentam margens apertadas

O ambiente de preços mais baixos aumenta a preocupação dos produtores, que convivem com custos elevados e margens reduzidas.

Segundo a análise da Safras & Mercado, em muitos casos as operações apresentam resultados negativos, pressionando principalmente pequenos e médios produtores independentes.

A exportação continua sendo o principal ponto positivo da cadeia em 2026, mas o desempenho externo ainda não foi suficiente para provocar uma reação significativa nos preços pagos ao produtor no mercado interno.

Preços do suíno vivo registram novas quedas

Levantamento da Safras & Mercado mostra que a média nacional do preço do quilo do suíno vivo caiu de R$ 5,25 para R$ 5,10 na última semana.

No atacado, a média dos preços pagos pelos cortes de carcaça recuou de R$ 8,63 para R$ 8,34 por quilo, enquanto o pernil apresentou pequena variação negativa, passando de R$ 10,23 para R$ 10,21.

Entre os principais mercados acompanhados, as cotações registraram as seguintes movimentações:

  • São Paulo: arroba suína caiu de R$ 101,00 para R$ 100,00;
  • Rio Grande do Sul: integração recuou de R$ 5,15 para R$ 5,05/kg e mercado independente de R$ 5,15 para R$ 5,00/kg;
  • Santa Catarina: integração caiu de R$ 5,05 para R$ 4,95/kg e mercado independente de R$ 5,10 para R$ 4,90/kg;
  • Paraná: mercado livre passou de R$ 4,95 para R$ 4,90/kg e integração de R$ 5,50 para R$ 5,40/kg;
  • Mato Grosso do Sul: integração caiu de R$ 5,05 para R$ 4,95/kg;
  • Goiás: cotação recuou de R$ 5,50 para R$ 5,20/kg;
  • Minas Gerais: interior caiu de R$ 5,90 para R$ 5,40/kg e mercado independente de R$ 6,10 para R$ 5,60/kg;
  • Mato Grosso: Rondonópolis registrou queda de R$ 5,50 para R$ 5,40/kg, enquanto a integração estadual passou de R$ 5,05 para R$ 4,95/kg.
Exportações de carne suína seguem como suporte ao setor

Apesar da pressão no mercado doméstico, as exportações brasileiras de carne suína continuam contribuindo positivamente para a cadeia produtiva.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques de carne suína in natura geraram receita de US$ 164,258 milhões em julho, considerando 13 dias úteis.

O volume exportado alcançou 67,560 mil toneladas, com média diária de 5,197 mil toneladas.

O preço médio internacional ficou em US$ 2.431,30 por tonelada.

Na comparação com julho de 2025, o desempenho apresentou:

  • queda de 2,2% na receita média diária;
  • aumento de 5,9% no volume médio diário exportado;
  • redução de 7,7% no preço médio por tonelada.
Perspectivas para a carne suína brasileira

O mercado suinícola brasileiro permanece em um momento de ajuste, marcado por oferta elevada, consumo interno limitado e pressão sobre as margens dos produtores.

A expectativa do setor é que uma melhora gradual da demanda doméstica, combinada com a continuidade do desempenho das exportações, possa contribuir para equilibrar o mercado nos próximos meses.

Até lá, frigoríficos e produtores seguem monitorando a evolução da oferta, o comportamento das proteínas concorrentes e o ritmo dos embarques internacionais para definir os próximos movimentos de preços.

Fonte: Portal do Agronegócio