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Frimesa eleva aposta em ‘processado inovador’

07/08/2026

Cooperativa dobrará investimentos e ampliará portfólio de itens derivados de carne suína

Fonte: SIPS

Cooperativas podem não sofrer a pressão por lucros como companhias privadas, mas precisam garantir a remuneração de seus cooperados. É o caso da Frimesa, a quarta maior produtora e exportadora nacional de carne suína.

A cooperativa, que compete com gigantes como JBS e MBRF em um momento em que os preços estão em baixa dentro e fora do país, planeja duplicar seus investimentos anuais, para R$ 200 milhões, pelos próximos quatro anos, para adequar processos produtivos e renovar parte do seu portfólio, aumentando o peso de itens inovadores e com margens de lucro maiores. Entre altos e baixos do mercado, é assim que ela pretende garantir a remuneração de seus cooperados, segundo o presidente executivo, Elias José Zydek.

Apesar de enviar ao exterior de 25% a 30% de sua produção — são, ao todo, 38 destinos —, é no mercado interno que estão as maiores chances de retorno. Enquanto importadores preferem comprar cortes in natura para o consumidor preparar o alimento com tempero local, no Brasil, a cooperativa consegue adaptar a oferta às tendências de consumo.

No mercado brasileiro, 58% do portfólio já é de itens processados conhecidos, como queijos, presuntos, mortadela e salames. Mas a Frimesa quer aumentar a fatia dos “produtos da inovação”.

“Somos um sistema cooperativo. Não sou cobrado para apresentar milhões em resultados, mas por remunerar o produtor”, afirmou Zydek ao Valor durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), evento que ocorreu nesta semana em São Paulo. “O produtor quer produzir mais, então temos de agregar valor para garantir sobras (lucros)”.

Com mais de 2,5 mil produtores de suínos e leite cooperados ligados a cinco cooperativas do Paraná — Copacol, Copagril, Lar, C.Vale e Primato —, a Frimesa pretende somar aos seus mais de 560 produtos, só neste ano, 41 itens inspirados em novas tendências de consumo. Entre elas, a conhecida busca por aumento da ingestão de proteína e por produtos saudáveis, de preparo rápido e fácil.

Uma das apostas é uma barrinha à base de pernil suíno, com cerca de 400 gramas, sendo 20 de proteína. A ideia é vender o produto — que ainda está em desenvolvimento e deve chegar ao mercado no início de 2027 — em academias, postos de gasolina, supermercados e outros pontos de venda. Estão nos planos, também, inovações nas linhas de queijos, segundo o executivo.

Um lançamento recente, inspirado nos novos hábitos de consumo brasileiros é o schnitzel, carne suína empanada servida em tirinhas, tradicional na Alemanha. As novidades incluem ainda linguiças inspiradas em receitas internacionais, como a chistorra (espanhola), hambúrgueres especiais e a linha para crianças de iogurtes e bebidas lácteas “5 zeros” (zero açúcar, lactose, gorduras trans, gorduras saturadas e colesterol).

A estratégia de acompanhar as mudanças do consumidor é parte de um plano de expansão de longo prazo, que inclui aumentar em 45% o abate de suínos, ampliar de 8,5% para 14% a participação no mercado brasileiro de carne suína e dobrar o faturamento para R$ 15 bilhões, até 2032. A Frimesa abriu neste ano um escritório comercial em São Paulo e investiu recentemente R$ 1,35 bilhão na nova unidade de Assis Chateaubriand (PR).

As transformações também ajudarão a Frimesa a enfrentar volatilidades no mercado. Neste ano, por exemplo, a queda do dólar em relação ao real diminui a receita em moeda nacional de exportadores brasileiros. Os preços da carne suína estão em queda em todo o mundo, um reflexo da diminuição da demanda chinesa — a queda ocorreu após a China recompor seus plantéis, que tinham encolhido com a peste suína africana.

Com isso, a Frimesa reduziu sua estimativa de receita para 2026. A previsão anterior era de R$ 8,1 bilhões, o que representaria uma alta de 14% em relação a 2025; agora, a projeção é de aumento de 5,6%, a R$ 7,5 bilhões. Ainda assim, Zydek mantém na faixa de 8% a previsão de crescimento da produção e das exportações, um ritmo similar ao dos últimos anos.

No mercado externo, além de avançar sobre destinos que contrabalançaram a diminuição da demanda chinesa, como Filipinas, Cingapura e Chile, Zydek alimenta a expectativa de que mercados cobiçados como Japão, Coreia do Sul e México, fechados para a carne suína brasileira, sejam abertos ainda em 2026 — o Japão importa carne suína apenas de Santa Catarina, primeiro estado a ter status de livre de aftosa sem vacinação. A Frimesa prevê exportar 140 mil toneladas de carne suína neste ano, cerca de 20 mil a mais do que em 2025.