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Carlos Cogo analisa a produção de carne da China com menos soja. Confira artigo.

09/02/2026
A China está aprendendo a produzir proteína com menos soja. E isso muda o jogo para o Brasil.
Durante décadas, a equação foi simples: ➡️ mais carne na China = mais soja importada.
Essa lógica está sendo desmontada pelo próprio Estado chinês — de forma planejada, técnica e estrutural.
📌 Os números são claros:
🔹 Hoje, 90% da soja consumida na China é importada.
🔹 Essas importações equivalem ao uso de 23 milhões de hectares de terras fora do país.
🔹 Até 2035, a meta é reduzir essa dependência para 30% ou menos, mesmo no pico do consumo de proteínas.
🔹 Na prática, a China quer cortar algo próximo de 18 milhões de hectares equivalentes em “soja importada”. E não, isso não vem de queda no consumo de carne.
🧬 O que está mudando? Menos soja por kg de proteína. O ajuste não está na boca do consumidor, mas dentro da ração e da zootecnia:
🔹 Redução do farelo de soja nas rações
– Suínos: de 16% → 11%
– Aves: de 14% → 11%
🔹 Substituição por aminoácidos sintéticos, onde a China é líder global.
– Consumo de aminoácidos deve crescer 60% até 2035.
🔹 Melhora da conversão alimentar (FCR)
– Suínos: 2,6 → 2,25
– Aves: 2,1 → 1,8
👉 Resultado: 10–15% menos grãos e até 30% menos soja por kg de carne produzida. Só essa frente representa um ganho equivalente a 23 milhões de hectares em eficiência do sistema alimentar.
📉 A China está desacoplando crescimento de proteína do crescimento da soja. Isso já começou:
✔️ Entre 2021 e 2025, o consumo de soja parou de crescer, mesmo com aumento da produção de carnes.
✔️ 15 milhões de toneladas de soja deixaram de ser demandadas por ajustes técnicos.
⛔ Isso não é ciclo, é política de Estado. E o Brasil? Onde está o desafio real?
O Brasil não perde o mercado da noite para o dia. Mas perde algo mais sutil — a assimetria de poder.
🔻 A soja deixa de ser um insumo crítico e passa a ser um insumo gerenciado.
🔻 A elasticidade da demanda chinesa diminui.
🔻 O crescimento deixa de ser automático. O risco para o Brasil não é colapso, é acomodação estratégica.
⚠️ O alerta é claro:
Quem continuar olhando apenas para área, produtividade e câmbio pode não perceber que o ajuste está acontecendo dentro do sistema alimentar chinês — e não no campo brasileiro.
📍 O desafio agora é:
diversificação de destinos,
integração com proteínas,
leitura geopolítica da demanda,
e estratégia além da soja como commodity “óbvia”.
A China continuará comprando soja. Mas não continuará dependente dela.
E isso muda tudo.
FONTE: Twitter - Carlos Cogo, Sócio-Diretor de Consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio.



