Indústria do abate repudia acusações

 

Indústria do abate repudia acusações

Da França aos EUA, passando pelo Brasil, a indústria da carne reagiu contra o estudo que a aponta como a mais nova vilã do câncer. A Associação da Indústria da Carne Americana (Nami) considera o estudo um “desafio ao senso comum”. Os autores do informe, acusa a Nami, “trituraram os dados para chegar a um resultado específico”.

Industriais americanos e franceses recordam que a carne é apenas um dos mais de 940 produtos, dos mais diversos, classificados como provavelmente cancerígenas pela agência especializada da OMS.

– Se nos agarrássemos à lista da OMS, ficaria claro que o simples fato de viver na Terra seria um risco de câncer. A ciência tem mostrado que é uma doença complexa. Não é causada apenas por alguns alimentos – rebate a Nami.

Um argumento foi reproduzido praticamente de forma idêntica pelos industriais europeus.

– É inadequado atribuir um único fator a um risco aumentado de câncer. É um assunto muito complexo que pode depender de uma combinação de outros fatores, como idade, genética, dieta, ambiente e estilo de vida – explica, em comunicado, o Centro de Ligação para a Indústria de Processamento de Carne na União Europeia.

– Mesmo que o consumo excessivo de carne não deva ser promovido, argumentam, é possível ter prazer e obter um equilíbrio nutricional nas refeições, combinando carne e legumes – afirma Xavier Beulin, presidente da FNSEA, maior sindicato agrícola francês.

Na França, primeiro produtor europeu de carne bovina, as federações de produtores de embutidos insistem sobre o problema da quantidade. Segundo o estudo, o risco de câncer colorretal pode aumentar em 17% para cada porção de 100 gramas de carne consumida por dia, e em 18% para cada porção de 50 gramas de embutidos. Mas o consumo médio de carne na França é de 52,5 gramas/dia/habitante, e de 35 gramas para os embutidos.

CONSUMO MUNDIAL MAIOR EM PAÍSES EMERGENTES

O Instituto Nacional da Carne do Uruguai diz que a carne em si não apresenta dificuldade.

– O problema vem dos produtos à base de carne nos quais são acrescentados aditivos como nitratos e nitritos, que podem tornar-se cancerígenos com o cozimento – afirma o Instituto Nacional da Carne do Uruguai.

Os países industrializados viram o consumo de carne diminuir nos últimos anos – efeito da crise econômica, mas também das críticas sobre o impacto que a dieta carnívora tem sobre a saúde e o meio ambiente. O consumo mundial, no entanto, aumentou em países emergentes, como Brasil e China.

O consumo aumentou em 15% entre 2008 e 2014 na China, enquanto recuou nas mesmas proporções na União Europeia, segundo a agência governamental francesa FranceAgriMer.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa as agroindústrias da avicultura e da suinocultura do Brasil, destaca que os produtos cárneos processados feitos no país são seguros e seguem as mais rígidas normas internacionais de segurança alimentar. A ABPA salienta que o próprio coordenador do estudo, Kurt Straif, aponta que o risco de desenvolver câncer frente à ingestão de cárneos processados é pequeno. Ele ocorre apenas diante de um consumo descontrolado, em desequilíbrio com uma dieta saudável. A ABPA lembra, ainda, que diversos fatores influenciam a ocorrência da doença em questão, como genética, hábitos alimentares, tipos de dieta e outros.

Zilmar Moussalle, dirigente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs, que lida com carne bovina), diz-se surpreendido pelo estudo. Ele ressalta que, para muitos médicos, a carne bovina é recomendada a pacientes como excelente nutriente.

Moussalle admite que excessos possam ser prejudiciais e que o Rio Grande do Sul, assim como Uruguai e EUA, está entre os maiores consumidores de carne bovina do mundo.

– Se alguma vertente desse estudo mostrar que excesso de consumo pode levar a câncer, até podemos pensar. Mas pelo que me falaram, é algo genérico em relação à carne vermelha – comenta.

O dirigente do Sicadergs acha “absurdo” cogitar que aconteça, com o setor das carnes, algo similar ao que ocorreu com a indústria tabagista – hoje em franca queda de mercado no Brasil, após proibição de publicidade.

Somente as indústrias de aves e suínos geram hoje 1,76 milhão de empregos diretos totalizando 4,16 milhões de postos de trabalho (entre diretos e indiretos).

Com agências

humberto.trezzi@zerohora.com.br

HUMBERTO TREZZI

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