Bloqueios podem afetar margens de empresas

 

Bloqueios podem afetar margens de empresas

Segundo o Valor, não bastasse a perspectiva de desaquecimento da economia, com prováveis consequências para o consumo no mercado doméstico, as empresas de carnes do país...

 

Terça-feira, 10 de Março de 2015 às 14h36

 
Bloqueios podem afetar margens de empresas

Segundo o Valor, não bastasse a perspectiva de desaquecimento da economia, com prováveis consequências para o consumo no mercado doméstico, as empresas de carnes do país, especialmente as de aves e suínos, devem ter suas margens no primeiro trimestre deste ano afetadas pelos protestos dos caminhoneiros que paralisaram várias estradas do país. Os bloqueios, que se intensificaram na última semana de fevereiro, só acabaram no começo da semana passada, depois que o governo sancionou a nova lei dos caminhoneiros.

Para o jornal, ainda não é possível estimar o tamanho do impacto, mas analistas concordam que entre as empresas de carnes com capital aberto na BM&FBovespa as mais afetadas pelos bloqueios devem ser a BRF e a JBS, por meio de seu negócio de aves e suínos (JBS Foods). Com falta de insumos e sem poder escoar a produção em decorrência do fechamento de estradas, especialmente no Sul do país, essas empresas tiveram de paralisar ou reduzir o abate de aves e suínos em algumas unidades da região.

Já para as empresas que atuam apenas com carne bovina, o impacto dos bloqueios foi menor, já que o transporte de insumos do segmento foi menos prejudicado e a cadeia de produção tem ciclo mais longo.

O Valor ainda afirma que Estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indica que os bloqueios trouxeram prejuízos de R$ 700 milhões ao setor de aves e suínos no Sul do país. Os números consideram tantos as empresas de capital aberto quanto as fechadas. Cálculos da entidade indicam que em torno de 70% da capacidade de abate da região Sul (maior produtora de aves e suínos do país) foi afetada nos dias mais graves do bloqueio, entre 23 e 27 de fevereiro. Com isso, o abastecimento de granjas com ração, assim como o transporte de animais para o abate e de produtos finais para os mercados interno e externo foram afetados.


"As empresas mais afetadas são as que dependem de reposição diária e constante de matéria-prima", observa Gabriel Vaz de Lima, analista do Bradesco BBI. Outra característica desse segmento - a existência dos chamados ativos biológicos, como pintos de um dia, nos estoques - tornou-o mais vulnerável à paralisação. Lima acrescenta que é preciso saber se os estoques desses ativos em empresas com o BRF e JBS Foods foram afetados pelos bloqueios.

O Sindicarne/SC estima que entre o dia 25 de fevereiro até o início da semana passada cerca de 4 milhões de aves e 26 mil suínos deixaram de ser abatidas no Estado, um dos mais afetados pelos bloqueios, e onde a BRF tem oito unidades e a JBS, 11 plantas.

As duas companhias tiveram de paralisar ou reduzir o ritmo de abates em suas plantas de Santa Catarina. A BRF chegou a suspender totalmente as operações nas unidades de Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, no Paraná, e diminuiu a produção de forma parcial em fábricas catarinenses.

Já a JBS suspendeu as operações nos abatedouros de aves e suínos de Itapiranga (SC), de suínos em São Miguel d'Oeste (SC) e de aves em Seara (SC). No Rio Grande do Sul, paralisou a unidade de Ana Rech (suínos) e no Paraná, parou os abates de aves em Jaguapitã e Campo Mourão. A JBS também deixou de operar a unidade de aves de Sidrolândia (MS). Segundo a empresa, essas fábricas representavam entre 10% e 20% de sua produção de aves e suínos no Brasil.

Em teleconferência com analistas para comentar os resultados da BRF em 2014, no dia 27 de fevereiro, o presidente do conselho de administração da empresa, Abilio Diniz, mostrou preocupação com os bloqueios. " Estamos tendo dificuldades com essa greve de caminhoneiros e até para cumprir exportações, mas estamos minimizando isso", disse na ocasião.

Embora as empresas tenham conseguido voltar a operar, os reflexos dos bloqueios ainda devem ser sentidos por ao menos 30 dias no segmento de aves, numa estimativa otimista, segundo Ricardo de Gouvêa, diretor-executivo da Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e do Sindicarne-SC. "Vai levar 30 dias para normalizar a produção na cadeia", avalia. Há quem considere, porém, que possa levar o dobro disso, afirma.

Isso porque o ciclo de produção na cadeia de aves é curto, de apenas 40 dias. Assim, todos os dias há lotes de frangos prontos para o abate, explica Gouvêa. Como a paralisação afetou o transporte do produto final, empresas tiveram de suspender ou diminuir o abate de aves pois não tinham mais onde estocar produto. Essa situação também levou à eliminação de pintos de um dia e de ovos férteis, segundo ele. Diante disso, as companhias estão tendo de fazer uma reprogramação da produção, afirma.

Há perdas irreversíveis, mas agora as empresas tentam minimizar os prejuízos. Uma das medidas nesse sentido, segundo Gouvêa, é acelerar o alojamento de pintos de um dia para ter frangos para abate.

No caso dos suínos, a situação é menos grave já que o ciclo de produção é mais longo - leva nove meses para um animal ser abatido. Mas, por conta dos bloqueios, houve dias em que faltou ração para os suínos nas granjas. Com isso, os animais perderam peso e não foram para o abate. "Há mais suínos no campo", afirma o diretor do Sindicarnes.

Um especialista do setor de carnes, que falou sob condição de anonimato, considera que o impacto das paralisações no balanço será mais forte no caso da BRF que no da JBS. A razão é que a JBS é maior, e a JBS Foods, que sofreu com os bloqueios, representa apenas uma parte da empresa.

Esse especialista acredita que as margens Ebitda das empresas podem ser afetadas, principalmente porque os bloqueios geraram problemas num período do ano já normalmente mais fraco.

Gabriel Vaz de Lima, do Bradesco BBI, pondera que um possível impacto negativo para as empresas de aves e suínos ocorrerá num momento favorável para elas. "Essas empresas têm tido margens muito boas", comenta. A BRF, por exemplo, teve margem Ebitda de quase 22% no quarto trimestre de 2014. A JBS vai divulgar seu resultado amanhã.

Fonte: Valor Econômico 

>> Mais notícias

24/08/2017

Comissão aprova proj. de Katia Abreu que suspende cobrança do Funrural

25/05/2017

Simpósio do Leite abordará Biosseguridade

10/05/2017

Biosseguridade e bem-estar na produção suína

03/03/2017

Audiência pública proposta por Weber discutirá decreto para suinocultu

16/12/2016

CP: Kerber vai para 7º mandato

Ver todas as notícias

<< Voltar

Nome

E-mail

Mensagem