Bem-estar animal é crucial em todas as etapas da produção

 

Bem-estar animal é crucial em todas as etapas da produção

Como o cuidado com o animal interfere na qualidade da carne

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014 às 15h27

 
Bem-estar animal é crucial em todas as etapas da produção

A indústria ainda tem dificuldade em desfazer o conceito errôneo de que os animais são tratados de forma desumana antes do abate. Tal preocupação com o bem-estar animal é baseada, em parte, na crença dos consumidores de que animais que passam por maus tratos ou não são cuidados de forma apropriada podem sofrer ou sentir dor.

Contudo, tanto os criadores quanto os produtores de carne sabem que o bem-estar animal é crucial em todas as etapas da produção a fim de garantir carne da melhor qualidade e minimizar o custo de produção. O presente artigo discute alguns procedimentos de manejo, produção e processamento que interferem no estresse do animal e na qualidade da carne, bem como exemplos de como criadores e produtores podem dar o melhor tratamento ao animal e otimizar a qualidade do produto.

O foco principal será a produção de carne de frango, mas também fornecerá informações sobre a produção de carne suína e bovina.

Os desafios da indústria
O Conselho Americano de Aves publicou um guia sobre o bem-estar animal com dados de auditoria de empresas do ramo para assegurar que os frangos não passem fome ou sede, tenham um espaço adequado para circular, não adoeçam, não se machuquem e não passem dor, medo, agonia ou desconforto.

Programas de arrecadação de fundos têm sido o meio de viabilizar a publicação do Guia Industrial para o Cuidado e Manuseio de Gado, que inclui informações sobre a ração, a água e o cuidado necessários para garantir a saúde e o bem-estar dos animais. A fim de assegurar que estão dispensando um excelente tratamento animal, as indústrias de carne vermelha, branca e suína utilizam informação de auditorias de terceiros.

O bem-estar e o cuidado com o animal é importante para que cientistas e participantes da indústria da carne possam explicar os procedimentos para aqueles de fora da indústria. Pesquisas indicam que a atenção da mídia americana voltada para o bem-estar animal interfere negativamente na demanda de carne de ave e de porco. O segmento precisa ser capaz de explicar em termos científicos como o bem-estar é indispensável para a boa vida do animal, para o sucesso econômico da empresa e para a produção de carne segura, sadia e sem falhas de qualidade.

A criação de aves em aviários
Os itens essenciais para o bem-estar animal nos aviários incluem higiene, densidade de ocupação, qualidade da cama, níveis de amônia e exposição a funcionários. A higiene do local previne que patógenos e doenças comuns às aves se proliferem. As melhores práticas de gerenciamento da qualidade do aviário incluem:
- dietas que reduzem os níveis de ureia e proteínas;
- o uso de bebedouros automáticos;
- manter a densidade de ocupação de acordo com a capacidade de ventilação das instalações;
- utilização de camas com material com alta retenção de água, e
- remoção de camas com resíduos incrustados.

Outros itens importantes são iluminação adequada, ventilação e controle de temperatura.

Ademais, a exposição diária das aves, suínos e bovinos com funcionários do local deve acontecer de tal modo que cause mínimo estresse durante a carga, transporte e processamento. O estresse pode ser quantificado pelos níveis de corticosterona no sangue das aves e de cortisol no sangue de suínos e bovinos. Quanto mais altos os níveis, maior o estresse sofrido, o que indica que as etapas do processo de produção devem ser aprimoradas para melhorar a qualidade da carne.

Densidade de ocupação e estresse
A densidade de ocupação, ou o número de animais em uma área específica, tem impacto direto sobre o estresse dos animais. Frangos, por exemplo, devem ser mantidos em uma área de aproximadamente uma unidade por 0,8 a 1 pé quadrado, e a superlotação causa um desempenho reduzido devido à briga por recursos de sobrevivência. A densidade de ocupação também é importante entre suínos e bovinos durante a armazenagem, transporte e descarga. Informações sobre requerimentos específicos podem ser encontradas no site da doutora Temple Grandin.
Cada passo do processo de produção é decisivo no bem-estar dos animais, mas um cuidado especial deve ser tomado durante o transporte e o abate a fim de garantir que animais bem tratados no criadouro não encontrem fatores de estresse entre a saída e a chegada à unidade de processamento.

Os animais devem ter espaço adequado suficiente durante o transporte e ser transportados junto com outros animais de seu bando ou rebanho. A distância entre o criadouro e a unidade de processamento deve ser encurtada, e a ventilação apropriada do local é essencial durante os meses mais quentes. O transporte de longa distância deve ser feito à noite durante o verão, e a área de armazenamento deve ser equipada com ventoinhas.

Otimizar as condições de captura, transporte, armazenamento, descarga, atordoamento [http://www.grandin.com/humane/best.practices.handle.stun.html]  e abate é imprescindível na indústria de carne aviária pelo bem da ave e porque o estresse sofrido entre o carregamento no criadouro e o abate contribui para a queda de qualidade da carne.

O manejo de bovinos e suínos
“Maneio” é o manejo hábil e prudente de animais de maneira segura, eficaz e quase sem estresse com a intenção de aumentar os lucros da empresa e o bem-estar do animal. Treinar os funcionários para entender o maneiro de bovinos e suínos é parte fundamental do programa de bem-estar e leva à produção de carne com a melhor qualidade possível. Grandin oferece uma lista de dicas de maneio de pequenos grupos de animais tais como não superlotar currais, contar com funcionários que entendam de zona de fuga e ponto de equilíbrio, instalar piso antiderrapante, manter os animais calmos e movê-los ao longo de uma rampa curva de onde possam ver uma distância de dois corpos a frente deles. Informações mais completas sobre maneio e bem-estar animal podem ser encontradas no site da Doutura Temple Grandin.

Qualidade da carne aviária
Fatores de estresse de curta duração tais como captura e aprisionamento, retirada da alimentação, transporte e ambiente com altas temperaturas podem acionar a aceleração da rigidez cadavérica, o que pode levar a formação de uma carne pálida, flácida e exsudativa – a chamada carne PSE – cuja cor esbranquiçada, textura mole e visco externo resultam em uma aparência indesejada e em um alimento seco e duro depois de preparado.

Ademais, a carne PSE não pode ser utilizada em produtos processados porque a miosina e a actina, proteínas responsáveis pela textura de embutidos e salsichas tipo frankfurter, são desnaturadas (não funcionais), o que leva a avarias no produto tais como rachaduras (embutidos) e gordura em excesso (salsichas tipo frankfurter).

Outras avarias que ocorrem com a carne de ave associadas ao estresse de curta duração são rigidez, carne de peito fibrosa e doença do músculo verde. Asas quebradas, lesões e respingos de sangue também têm relação com o estresse, que pode ser identificado e eliminado. É importante para as empresas de carne aviária prevenir esses problemas pelo bem da ave, da expectativa do consumidor e da viabilidade econômica.

A qualidade da carne bovina
O corte de carne escuro é uma condição resultante do estresse prolongado do animal, geralmente entre 12 e 24 horas, que esgota o glicogênio dos músculos e provoca gosto e textura indesejados e pH elevado.

Dentre os fatores que contribuem para o corte de carne escuro estão temperaturas que oscilam rapidamente, maneio barulhento do gado, uso do bastão elétrico, manter o gado de um dia para o outro no local de abate e misturar animais que não tiveram contato prévio.

Lesões na carcaça têm um alto custo para a indústria e não raro são causadas por objetos pontiagudos como tábuas quebradas, pregos e parafusos, mas grande parte é causada por manejo bruto e descuidado e pode ser amenizada com o aprimoramento do maneio.

A qualidade da carne suína
A carne PSE geralmente ocorria na indústria da carne suína devido à prevalência do gene halotano, causador da síndrome do estresse suíno. Nos EUA, o gene foi removido da genética dos suínos, mas ainda se encontra a carne PSE quando os porcos ficam em temperaturas superelevadas ou são manejados de forma inadequada na unidade de processamento.

A condição PSE está associada a altos níveis de lactato no momento do abate devido ao maneio bruto e uso de bastão elétrico. Também está diretamente associada ao bem-estar animal e pode ser minimizada com práticas como ter um funcionário que ande diariamente pelo curral, permitir que os animais descansem de duas a quatro horas entre o transporte e o atordoamento, ter um espaço adequado entre os currais (0,5 metro quadrado para um porco de 110 quilos) e abolir o uso de bastão elétrico. É importante não estressar os porcos nos 30 minutos anteriores ao abate, já que o estresse imediatamente antes do abate neutraliza o efeito do excelente tratamento prévio dispensando e pode resultar na produção de carne PSE.
 

Conclusão
Cientistas e representantes da indústria cárnea têm uma responsabilidade natural de estarem preparados para explicar como o segmento tem lidado com o bem-estar animal. Isso significa que precisa haver um conhecimento sólido dos fatores que contribuem para práticas ruins e das características que levam às boas práticas. Otimizar o bem-estar animal aumenta a maciez e suculência da carne, amplia os lucros e a eficácia da produção e diminui a incidência de lesões, respingos de sangue, carne PSE, corte de carne escuro e frangos com pés e asas quebradas. As condições mais eficientes e de maior qualidade do bem-estar animal são sinônimo de mais lucro para o produtor e, no final das contas, menor custo para o consumidor. 

 

Fonte: CarneTec

Fonte: PORKWORLD - o mega portal da Suinocultura Brasileira

 

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