Agendamento nos portos ajuda a conter fretes da soja

 15/04/2014 | Logística e infraestrutura

Agendamento nos portos ajuda a conter fretes da soja

A decisão dos dois principais portos brasileiros de exigir o agendamento de cargas colaborou para conter, em março, as altas dos valores dos fretes para escoamento da soja produzida no Centro-Oeste. Em razão do fluxo da colheita, que costuma crescer em março, normalmente há alta em relação a fevereiro.

Segundo Thiago Péra, coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq Log), o frete para o transporte do grão entre Nova Mutum, um dos mais importantes polos agrícolas de Mato Grosso, e o porto de Santos permaneceu no mês passado em torno de R$ 310 a tonelada. Ainda são esperados reajustes neste mês de abril, mas moderados.

"A colheita se prolongou um pouco neste ano [em Mato Grosso] por conta das paralisações com a chuva. Além disso, essa mesma chuva estava impedindo que os caminhões saíssem do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul diariamente e isso tudo, somado ao agendamento, criou um cadenciamento maior no transporte dos grãos até os portos", diz Péra. Com a melhora das condições climáticas em abril, ainda é de se esperar reajustes, mesmo modestos.

Conforme Péra, a menor produção de milho na safrinha de Mato Grosso neste ciclo 2013/14 deverá permitir que o transporte da soja se estenda até julho, o que tende a reduzir a pressão sobre os fretes. De qualquer forma, vale destacar que esta é a primeira safra em que os operadores dos terminais de exportação são obrigados a agendar a chegada de caminhões em Santos e Paranaguá (PR), para evitar engarrafamentos nas rodovias e acelerar as exportações, e que o efeito sobre os fretes foi considerado positivo, mesmo que com a ajuda de outros fatores.

A conjunção desaqueceu a demanda, sobretudo em relação ao ano passado, e reduziu as perdas de tradings e produtores rurais. De acordo com a Esalq Log, os preços médios dos fretes em geral no país subiram entre 4% e 6% em fevereiro na comparação com janeiro, bem abaixo da alta de cerca de 15% observada entre esses mesmos meses de 2013. Em março deste ano, a valorização dos fretes em geral sobre fevereiro foi de entre 7% e 9%, ante entre 11% a 14% no ano passado.

Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que, de Sorriso, outro importante município agrícola do Estado, até Santos, o frete custava R$ 307,50 a tonelada de soja em fevereiro, ante R$ 275 no mesmo mês de 2013. Mas o valor caiu para R$ 300 no mês passado, ante R$ 305 em março de 2013.

No Paraná, praticamente não houve reajuste nas comparações anuais, afirma Robson Mafioletti, assessor técnico e econômico da Ocepar, organização que representa as cooperativas do Estado.

De Campo Mourão, Cascavel ou Maringá ao porto de Paranaguá, o frete estava em R$ 90 a tonelada em fevereiro e em R$ 75 em março, exatamente os mesmos valores de 2013. A redução entre esses meses se deve à concentração de colheita em fevereiro nessas regiões. "Aqui no Estado, os valores dispararam em 2013 por conta da concorrência entre a soja e o milho, o que não aconteceu neste ano", observa.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), os embarques brasileiros de milho somaram 557,7 mil toneladas em março, ante 1,063 milhão em fevereiro e 1,608 milhão em março de 2013.

Além da concorrência com o milho, 2013 marcou a entrada em vigor da lei 12.619/2012, que regulamentou a profissão do caminhoneiro e estabeleceu, entre outras medidas, limite de horas trabalhadas e tempo de descanso durante o dia e à noite. Na média do país, calcula-se que o reajuste do frete apenas com entrada dessa lei tenha sido de 20% - em Mato Grosso, que é mais distante dos portos, a alta atingiu 40%.

Mafioletti ressalta, entretanto, que as quedas dos preços dos fretes ou os reajustes em menores patamares não significam, necessariamente, custos menores para os produtores. "O escalonamento de carga até o porto exige que os produtores tenham um lugar para armazenar os grãos nas fazendas, após a colheita. Hoje, as cooperativas que não têm armazéns estão optando pelos silos-bolsa, mas já preveem investir juntas R$ 1 bilhão em sistema de armazenagem na safra 2014/15".

Fonte: Fernanda Pressinott/ Valor Econômico

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