Milho sobe no pais e produtor segura oferta

 

Milho sobe no país e produtor segura oferta

Depois de ter ficado abaixo do preço mínimo em várias regiões do país em 2013, por conta do excesso de oferta no mercado interno, o milho voltou a se valorizar e já acumula alta de quase 20% este ano....

Terça-feira, 15 de Abril de 2014 às 09h26

 
Milho sobe no país e produtor segura oferta

Depois de ter ficado abaixo do preço mínimo em várias regiões do país em 2013, por conta do excesso de oferta no mercado interno, o milho voltou a se valorizar e já acumula alta de quase 20% este ano. Os recentes aumentos, contudo, não foram suficientes para estimular os produtores a acelerar as vendas. Na expectativa de que os preços subam ainda mais, os agricultores colocaram o pé no freio da comercialização, e os demais elos da cadeia já se preparam para absorver os impactos dessa elevação do grão.

"As negociações estão mais lentas há pelo menos duas semanas", afirma Ariel Encide, da Diversa Corretora de Cereais, em Rondonópolis (MT). Conforme o corretor, boa parte dos produtores da região acredita que a saca possa chegar aos R$ 23,50, acima dos atuais R$ 21,50 a R$ 22 por saca. "Acho que isso deve acontecer, mas em maio ou junho, quando estiver mais clara a situação da safrinha", diz.

A supersafra brasileira de milho no ano passado inundou o mercado e deprimiu os preços. Porém, no último trimestre de 2013, os estoques apertados nos Estados Unidos e as previsões de que os americanos diminuiriam o plantio do grão na safra 2014/15 - que já começou a ser plantada - deram novo fôlego às cotações.

No Brasil, a área também acabou reduzida em 2,3% no ciclo 2013/14, ante o ciclo anterior, para 8,8 milhões de hectares, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A confirmação, dada em março, que 25% da segunda safra de milho em Mato Grosso - maior Estado produtor - foi semeada fora da janela ideal, devido às intensas chuvas, deu impulso adicional aos preços.

Leonildo Bares, presidente do Sindicato Rural de Sinop (MT), diz que não há pressa em comercializar o milho porque os produtores estão capitalizados, especialmente depois da sequência de boas safras de soja. "Eu, particularmente, não venderei uma saca antes que o preço chegue a R$ 18, e sou acompanhado por muitos", afirma. Atualmente, a saca em Sinop é negociada entre R$ 10 e R$ 13, mas Bares acredita que vá chegar aos patamares de 2012, entre R$ 16 e R$ 20.

Em março, o preço médio da saca de milho registrou valorização de 7,25% no mercado doméstico, em relação ao mês anterior, conforme o indicador Cepea/Esalq. O avanço foi muito semelhante ao aumento de 7,68% verificado no mesmo período na bolsa de Chicago, referência mundial para a formação de preços da commodity. Em abril, os preço médio doméstico já cedeu (caiu 4,6% ante março), mas o movimento é encarado no mercado como uma correção depois das recentes altas.

"Porém, com a colheita menor e o aumento da demanda mundial, o milho vai subir", estima o presidente do Sindicato Rural de Sinop. As cotações do milho têm influência decisiva nos preços das carnes uma vez que o grão é um dos principais componentes da alimentação animal - o que significa que os reflexos no varejo já estão a caminho.

"Acredito que a alta do milho será sentida nos preços do frango no segundo semestre", diz Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Estima-se que cerca de 75% da ração das aves seja composta por milho. O peso da matéria-prima é muito próximo na ração dos suínos, mas no caso dos bovinos a importância é menor, tendo em vista que o gado confinado representa muito pouco dessa criação (menos de 10%).

No Nordeste do país, os preços do milho também já são negociados em níveis mais atraentes para o produtor, em função da menor oferta. No Maranhão, o aumento do preço foi de quase 30% entre janeiro e março, para R$ 32 a saca em média, segundo Claudeir Pires, da corretora Pires, em São Luís. "Nem nos nossos melhores sonhos imaginávamos que o preço do milho chegaria ao patamar atual quando começamos o plantio de verão", conta.

No Paraná, segundo maior produtor nacional, o milho atingiu o menor valor de 2013 no mês de outubro (a R$ 17,26 por saca, em média), e desde então subiu 35%, para R$ 23,29 em março, indica levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado. O grão fechou a última semana ligeiramente mais valorizado que no mês passado, a R$ 23,52 por saca no Estado.

"A tendência é que esses bons preços se mantenham. A segunda safra de milho já terminou de ser plantada no Paraná, mas agora vem o frio e ainda há muito risco de geadas", lembrou Marcelo Garrido, economista do Deral.

"Todo o viés do milho agora é mesmo para cima. Não vejo como jogar os preços para baixo", avalia Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria.

A economista prevê que a cotação média do grão em 2014 no país seja 12% superior à do ano passado, e alcance R$ 30,32 por saca. "No começo do ano, não tínhamos essa percepção de alta muito clara. Apesar de acharmos que o plantio de milho seria desestimulado nos EUA, acreditávamos em uma produtividade boa aqui no Brasil, mas a seca no Sul foi pior que o esperado", concluiu.

As exportações de milho do Brasil, por sua vez, tendem a ser menores que as do ano passado, na avaliação de Amaryllis. A estimativa é de uma queda de 13,3%, para 23,08 milhões de toneladas.

Para a economista, o aumento dos embarques dos EUA, reflexo da safra recorde do país em 2013/14, explica a queda prevista nas vendas externas do Brasil. No relatório divulgado na semana passada, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projetou um aumento de 7,7% nas vendas externas do cereal pelo país, ante a estimativa de fevereiro, para 44,45 milhões de toneladas. O volume é 139% maior que o embarcado em 2012/13, quando a produção americana sofreu com uma grave estiagem.

Fonte: Valor Econômico

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