Rússia barra mais dez frigorificos do Brasil

 

 

Rússia barra mais dez frigoríficos do

 

Brasil

 

Por Tarso Veloso e Luiz Henrique Mendes | De Brasília e São Paulo

A Rússia informou ao Ministério da Agricultura que a partir de 2 de outubro vai incluir dez estabelecimentos frigoríficos brasileiros na lista de restrições temporárias devido ao "descumprimento das exigências e normas sanitárias", conforme antecipou ontem o Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor. Na prática, a medida proíbe as plantas de exportarem para um dos principais mercados para as carnes bovina e suína brasileiras no exterior, e por tempo indeterminado.

A lista da Rússia, comunicada ao governo brasileiro em ofício ao qual o Valor teve acesso, inclui nove unidades de carne bovina, uma de carne suína e informa que duas unidades processadoras de aves falharam nos testes de seu serviço sanitário e não conseguirão a licença para exportar para o país. Seis das nove plantas de bovinos afetadas são da JBS, duas da Minerva Foods e uma da Marfrig Alimentos. A de suínos é da Pamplona.

 

Conforme ofício assinado por Nikolai Vlasov, vice-diretor do Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor), e entregue ao adido agrícola brasileiro, Rinaldo Junqueira de Barros, foram encontradas diversas irregularidades nessas unidades durante a visita de uma missão veterinária russa ao Brasil entre 30 de junho e 14 de julho deste ano.

As plantas da JBS são as de SIF 385 (Andradina/SP), 504 (Ituiutaba/MG), 862 (Goiânia/GO), 4400 (Campo Grande/MS), 76 (Barretos/SP) e 457 (Marabá/PA). As da Minerva são as de SIF 421 (Barretos/SP) e 1940 (Araguaína/TO) e a da Marfrig é a de SIF 4238 (Bataguassu/MS). O SIF da unidade da Pamplona, finalmente, é 377 (Presidente Getúlio/SC).

Com as novas restrições, das 56 plantas de carne bovina listadas no Rosselkhoznadzor, nove estão autorizadas a exportar sem condicionantes, três estão liberadas, mas aguardam resultados de análises laboratoriais, e duas estão sob "controle reforçado". Além disso, o documento afirma que a planta de SIF 3941, da Agra Agroindustrial, não obteve aval para expandir suas atividades.

Os frigoríficos de carne bovina em controle reforçado são os de SIF 2121 (Presidente Prudente/SP), da Bon-Mart Frigorífico Ltda e 506 (Colatina/ES), da Frisa. As três plantas que aguardam análises laboratoriais de amostras já coletadas são as de SIF 3181 (Naviraí/MS), da JBS, 2583 (Água Azul do Norte/PA), da Frigol, e 2443 (Jaru/RO), da Irmãos Gonçalves.

Segundo fontes do segmento, a ampliação das travas russas terá impacto sobre as exportações brasileiras de carne bovina, que estão em alta e vêm batendo recorde neste ano. Apesar das restrições que já estavam em vigor, a Rússia é o segundo principal destino dos embarques de carne bovina do Brasil, atrás de Hong Kong. Entre janeiro e agosto, os russos importaram 209,9 mil toneladas (US$ 822 milhões). As exportações totais brasileiras somaram 944 mil toneladas (ver gráfico).

Dentre as justificativas mais graves encaminhadas ao governo brasileiro por meio do ofício obtido pelo Valor estão a ausência de comprovação documental de que os estabelecimentos haviam sido fiscalizados por representantes do serviço sanitário brasileiro, a falta de soluções para inconformidades encontradas em 2011 e 2012 e a ausência de controle sobre o uso de estimulantes de crescimento nas carnes. A Rússia proíbe o uso de promotores de crescimento como a ractopamina em bovinos e suínos. Em bovinos, o uso da ractopamina foi suspenso no Brasil em dezembro do ano passado.

No caso da carne suína, o Rosselkhoznadzor tem 21 unidades brasileiras listadas, mas somente duas - uma da BRF em Goiás e outra da Martini em Santa Catarina - estão atualmente habilitadas à exportação sem restrições, sendo que uma se encontra em controle reforçado, a da Seara em município catarinense de mesmo nome. Uma planta da BRF em Uberlândia (MG) aguarda análises laboratoriais de amostras já colhidas para manter o carimbo "aprovada". No mês passado, a unidade de suínos da BRF em Rio Verde (GO) foi liberada para exportar para a Rússia.

Em meio a acaloradas discussões com o Ministério da Agricultura sobre a fragilidade do sistema de defesa agropecuária do país atualmente, o presidente do Sindicato dos Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA Sindical), Wilson Roberto de Sá, afirmou que, se a ampliação das barreiras de Moscou for confirmada será um dos piores momentos da história com o país importador.

"Esse embargo pode gerar um efeito dominó em outros mercados. Se for confirmado, trará fortes transtornos", disse Sá. O problema, lembra ele, passa pela falta de recursos para que os fiscais possam desempenhar suas atividades.

A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura está sem recursos desde agosto. O orçamento para 2013 é de R$ 204 milhões, mas foram empenhados até o mês passado R$ 101 milhões, conforme o memorando 618, encaminhado pelo ex-secretário Enio Marques ao secretário-executivo José Gerardo Fontelles. Marques foi substituído pelo advogado Rodrigo Figueiredo no mês passado. Desde que houve troca, os fiscais agropecuários entraram em operação padrão para protestar sobre a "ingerência política e empresarial na nomeação do novo secretário de Defesa Agropecuária" da Pasta.

Como a lista de novas restrições da Rússia surge às vésperas da chegada de uma nova missão veterinária daquele país ao Brasil, em outubro, as difíceis relações entre o comando do ministério e os fiscais preocupa a indústria de carnes.

O temor decorre do histórico de Moscou, que impôs embargo a dezenas de estabelecimentos exportadores de carnes do país em 2011. Na ocasião, disse uma fonte dos frigoríficos, o ministério teve parcela de culpa, apesar da reconhecida postura controversa da Rússia. "O ministério se descuidou e não deu importância para os russos, que gostam de ser recebidos por uma autoridade. Durante a missão, teve gente despreparada, que nem sabia falar inglês. Os russos foram recebidos mal desde o aeroporto", afirmou a fonte.

"Oficialmente", o discurso das empresas minimiza o novo problema. JBS e Minerva reconheceram a suspensão e informaram que têm condições de continuar a exportar ao mercado russo por meio de unidades no Brasil ou no exterior que seguem liberadas por Moscou. A Marfrig ressalvou que não tinha sido comunicada oficialmente dos novos embargos, mas foi na direção das concorrentes. O Ministério da Agricultura confirmou o recebimento do ofício russo e informou que aguarda sua tradução completa.

Ontem, as ações da Minerva recuaram 1,7% na BM&FBovespa. As da JBS, cuja unidade embargada pelos russos em Mato Grosso do Sul ilustra sua atual campanha publicitária na mídia brasileira, caíram 1,9%. Já os papéis da Marfrig subiram 2,1% - a empresa segue com uma planta em Promissão (SP) liberada pelos russos sem restrições.

Fonte: O Valor Economico


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 Fonte: O Valor Economico 

 

 

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