Incertezas derrubam ações da JBS; Marfrig também cai

Incertezas derrubam ações da JBS; Marfrig também cai

Um dia após o anúncio da venda da Seara Brasil e da Zenda pela Marfrig para a JBS, por R$ 5,8 bilhões, as ações das companhias tiveram forte queda na BM&FBovespa. Os papéis da JBS fecharam com queda de 7,19% enquanto os de Marfrig, que haviam subido 6,31% no dia anterior, recuaram 3,15%.

A percepção de que o negócio vai aumentar o endividamento da JBS voltou a influenciar o humor dos investidores. No fim do dia, o quadro se agravou depois que a agência de classificação de risco Standard & Poor's informou que colocou o rating da JBS e da JBS USA em revisão para possível rebaixamento. O rating atual da companhia é 'BB'.

Segundo a agência, a revisão pode ocorrer se a dívida da JBS permanecer muito mais alta do que o previamente esperado após a conclusão da aquisição.

 

Para pagar os ativos adquiridos, a JBS vai assumir dívida de R$ 5,85 bilhões da Marfrig, o que elevará o endividamento da gigante mundial de proteína animal. A expectativa da S& P é que a relação entre a dívida bruta e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da JBS fique perto de 4 vezes no fim deste ano. Mas na conclusão da aquisição, o índice deve ficar mais elevado, perto de 5 vezes, conforme a agência.

Em relação à Marfrig, a expectativa da S&P é positiva. Também ontem, a agência colocou os ratings da empresa em revisão para possível elevação após a venda dos ativos para a JBS. Atualmente, o frigorífico recebe nota "B" pela agência, dois níveis acima do status considerado como "altamente especulativo".

A venda dos ativos vai tirar dívidas de R$ 5,8 bilhões do balanço da Marfrig. "Queremos monitorar os impactos no fluxo de caixa, estrutura de capital e política financeira que seguirão a transação", afirmaram os analistas da S&P em nota.

Mas o cenário externo também contribuiu para derrubar as ações de JBS e Marfrig ontem. O Ibovespa caiu 3,01% num dia de liquidação de ativos nos mercados mundiais por conta das preocupações com a possível redução dos estímulos à economia americana pelo Federal Reserve (o Fed), como informou o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

Não bastassem as incertezas quanto ao impacto do negócio no desempenho das duas empresas, a operação anunciada por Marfrig e JBS na segunda-feira corre o risco de ser questionada pela BRF. A razão é que a venda da Seara Brasil para JBS incluiu marcas que haviam sido entregues pela BRF à Marfrig numa operação de venda e troca de ativos, em 2011.

A BRF teve de se desfazer desses ativos para cumprir o acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que permitiu a união entre Sadia e Perdigão.

O contrato de venda de ativos da BRF para a Marfrig incluía marcas como Rezende, Doriana, Wilson, Confiança, entre outras, e determinava que a Marfrig não poderia vender essas marcas pelo período de cinco anos. Como na Marfrig essas marcas estavam sob o guarda-chuva da Seara Brasil, elas estão incluídas na operação de venda para a JBS.

O Valor apurou que a possibilidade de a BRF questionar a venda na Justiça ainda não está descartada. Procurada ontem, a companhia não se pronunciou. Já a Marfrig informou, por meio de sua assessoria, que "não existem restrições no modelo de negócio entabulado". A JBS também preferiu não se pronunciar sobre o assunto. (Colaborou Natalia Viri, de São Paulo)


Fonte: Valor Economico

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