RS cobra maior acesso a recurso

 

Mesmo com anúncio de verba recorde e queda de juros, produtores temem que endividamento prejudique tomada de crédito

Dilma (D) acredita que o campo será protagonista no enfrentamento da crise mundial
Crédito: ROBERTO STUCKERT FILHO / PR / CP

Com passivo estimado em R$ 14 bilhões, produtores rurais gaúchos temem não ter condições de acessar a verba recorde de R$ 115,2 bilhões do Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013, a juros mais atrativos do que no ciclo passado, de até 5% ao ano. À tarde, o Conselho Monetário Nacional aprovou 11 votos, sustentando o plano. As medidas para estimular a produção agropecuária foram detalhadas, ontem, em Brasília, pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho. Mas o esperado anúncio da renegociação do endividamento, que soma R$ 150 bilhões no país, não veio. Questionado, Mendes disse que o problema está em pauta, mas que será tratado regionalmente e na hora certa. Para ministro, neste momento, a prioridade era o Plano Safra, "o maior e melhor de todos os tempos". No lançamento, a presidente Dilma disse que a União estuda a criação de uma agência de assistência técnica e extensão rural e que está no forno um plano nacional de armazenagem, um gargalo histórico.

Representando o agronegócio na cerimônia, a presidente da CNA, Kátia Abreu, crítica contumaz do governo no passado recente, elogiou o "novo modelo de política agrícola".

Dados do próprio ministério indicam que devem sobrar nos bancos R$ 14 bilhões dos R$ 107 bilhões programados na atual safra. "Se nada for feito, vão sobrar ainda mais recursos no ano que vem", alerta o economista da Farsul, Antônio da Luz. A federação negocia reescalonar os débitos já prorrogados para 31 de julho deste ano devido à estiagem. O desafio é manter o produtor adimplente. "Sem crédito, a safra será menor e as exportações também. Com isso, o PIB será reduzido e toda a sociedade perde, de novo", adverte. Farsul e Banco do Brasil (BB) não possuem dados do montante renegociado até agora em função da seca que castiga o Estado desde novembro passado. A federação deve concluir neste mês levantamento do endividamento estrutural da lavoura de sequeiro no Rio Grande do Sul. No setor arrozeiro, o passivo seria de R$ 3,1 bilhões. Detentor de cerca de 80% da carteira de crédito rural, o BB, informou que os produtores gaúchos tomaram, até 1 de junho, R$ 6,7 bilhões dos R$ 7,6 bilhões disponibilizados no Estado.

Hoje, em Santo Ângelo, a expectativa é que 2,5 mil produtores participem da mobilização que visa fortalecer a negociação com o ministério, conforme Juarez Petry, do movimento "Te mexe, produtor". Agricultor em Cachoeira do Sul, Ademar Kochenborger, teve que encontrar alternativas para não deixar a atividade. O arrozeiro acumula R$ 900 mil em dívidas, após perdas consecutivas causadas pelo clima e pela crise de preço do cereal. Em 2011, com limite de crédito menor no banco, a solução foi tomar parte do dinheiro de custeio das lavouras de arroz e soja junto à indústria, apesar do juro maior e da ausência de seguro. "É uma bola de neve. Se não houver renegociação, não tem como continuar. Tem que passar uma régua no passivo e alongar o prazo."
 

Fonte: Correio do Povo

>> Mais notícias

10/04/2019

Frente em Defesa do Milho tem adesão de 27 deputados

09/04/2019

Deputados querem criar Frente em Defesa da Cultura do Milho

08/11/2018

Presidente Fundesa fala sobre desafios sanidade animal

04/09/2018

Surto de Peste Suína Africana na Ásia exige atenção em biosseguridade

29/08/2018

Presidente do Fundesa recebe Medalha Assis Brasil

Ver todas as notícias

<< Voltar

Nome

E-mail

Mensagem