Grande estoque de milho em formação

A safra de milho deste ciclo 2011/12 já movimenta o mercado para uma alta nos estoques, o que pode causar queda no preço do produto e diminuir os plantios da próxima safra. A expectativa é que a produção brasileira do grão supere 67 milhões de toneladas no total (safras de verão e de inverno), ante 57 milhões em 2010/11, com chances de ser revisada para cima caso o clima não atrapalhe as colheitas que estão por vir. No Paraná, onde a colheita de verão e o plantio de inverno estão em andamento, o volume no verão deverá chegar a 30,3 milhões de toneladas.

O resultado positivo desta "supersafra" deve-se em grande parte à safrinha. Sua produção pode chegar a 30 milhões de toneladas no ciclo atual, aproximando-se da colheita da primeira safra, que historicamente é superior.

 

 

Com a seca que afetou o Sul do país no início do ano, outras lugares - Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás - investiram no plantio de milho para suprir a demanda pelo grão. Goiás colheu 2,9 milhões de toneladas na safra passada e deve colher 3,8 milhões no ciclo atual. Mato Grosso do Sul colheu 3,1 milhões de toneladas na safra 2010/11 e deve chegar a 4,5 milhões de toneladas no atual ciclo. O Mato Grosso colheu 13,1 milhões de toneladas, 12% mais que no período passado.

Atualmente, os estoques particulares estão próximos de 7 milhões de toneladas. Porém, o governo calcula que eles chegarão a 26 milhões de toneladas no mercado como um todo, depois de descontados o total consumido.

Esta super oferta pode fazer com que os produtores resolvam plantar menos milho na primeira safra. "A tendência é de redução em Estados que produziram muito nesta safra", avalia Thomé Luiz Guth, analista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O governo começa a estudar saídas para evitar a depreciação de preços no mercado. A ajuda para enxugar a oferta pode vir por meio de compras realizadas pelo próprio governo. As reservas estão baixas devido às atuações feitas na Bahia e no Rio Grande do Sul, com a quebra de safra provocada pela estiagem. Por isso, o governo cogita realizar leilões para a compra do grão. "Precisamos ter estoque estratégico. Existe o risco de o governo fechar a safra com armazenamento de apenas 500 mil toneladas", disse uma fonte do Ministério da Agricultura.

Por outro lado, a produção recorde de milho safrinha tem seu lado positivo. Ela deve amenizar o resultado do PIB da agropecuária que teve queda de 8,5% no primeiro trimestre do ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O governo prevê que a colheita generosa do grão vai ajudar a puxar o PIB novamente para cima. "O governo já trabalha com projeções melhores para o próximo semestre", comentou uma fonte do Ministério da Fazenda.

Entretanto, os produtores brasileiros se preparam para enfrentar um mercado externo desfavorável caso se confirmem as projeções para a colheita americana calculada em 375 milhões de toneladas, conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Se a safra for como é esperada, pode faltar mercado no exterior para o milho brasileiro.


Fonte: Jornal O Valor Econômico
 

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