Setor de suínos vê agravamento da crise com impasse na Argentina

Reuters

Fabíola Gomes

Os entraves à entrada de carne suína do Brasil no mercado argentino persistem, apesar da expectativa de uma cota que permita embarques ao país vizinho, disse o presidente da associação que reúne os exportadores nesta terça-feira.

O impasse aumenta a pressão sobre uma indústria que já vive uma crise desde o embargo parcial russo do ano passado e agora enfrenta elevados custos de produção, com a quebra da safra de grãos na região Sul.

Em fevereiro, a Argentina adotou um programa de emissão antecipada de licenças, que na prática limitou a entrada do produto brasileiro no país, que despencou para pouco menos de 500 toneladas/mês, contra uma média mensal de 3,5 mil toneladas no ano passado.

Em março, a Argentina recebeu 427 toneladas de carne suína do Brasil, queda de 87 por cento ante março de 2011.

A proposta argentina para encerrar o impasse, anunciada em meados de março, previa o estabelecimento de uma cota de 3 mil toneladas para a carne suína do Brasil, que no entanto não foi colocada em prática até o momento.

"Até ontem (segunda-feira) tivemos zero licenças emitidas", disse o presidente da Abipecs, Pedro de Camargo Neto, a jornalistas, referindo-se ao período posterior ao anúncio de cotas feito após reunião entre ministros da Agricultura do Brasil e da Argentina.

Camargo Neto disse que os ministros do Brasil, Mendes Ribeiro Filho, e da Argentina, Norberto Yauhar, discutiram o tema depois de participar de reunião do Conselho Agropecuário do Sul (CAS), em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, na segunda-feira.

Segundo ele, o assunto deve ser discutido entre o secretário do comércio argentino, Guillermo Moreno, e os importadores locais nesta terça-feira.

"Precisa ter mais informação, saber quem vai administrar as cotas... da forma como está ninguém sabe direito para quem vai, quanto ou quando vai (a cota para cada exportador)", acrescentou Camargo Neto.

O Brasil é o quarto maior produtor e exportador de carne suína no mundo. Antes do impasse, a Argentina recebia 9 por cento das exportações brasileiras.

CRISE

O impasse com a Argentina só reforça a crise vivida pelo setor desde o embargo parcial imposto pela Rússia, em junho do ano passado, que impossibilitou as vendas de três Estados, incluindo o Rio Grande do Sul, tradicionalmente o maior exportador para o mercado russo.

Atualmente, apenas quatro frigoríficos -dois em Santa Catarina, um de Goiás e outro de Minas Gerais- têm unidades habilitadas para exportar ao mercado russo. E por ora, diz ele, é pequena a expectativa de mudanças no que se refere a esta questão.

Camargo Neto ponderou que o cenário é positivo no médio e longo prazo, com a demanda prevista da China, Coreia do Sul e Japão, mas agora o setor está em crise.

Além do prejuízo gerado pelo impasse com os importadores, os suinocultores enfrentam custos maiores por conta da quebra de safra na região Sul do Brasil, obrigando o Rio Grande do Sul a trazer milho de outros Estados.

Camargo Neto argumenta que o governo precisaria fazer mais leilões para subsidiar o escoamento de produtores do Centro-Oeste para os Estados do Sul. Mas ele ressaltou que para atender à demanda do setor é necessário que as integradoras (empresas) possam participar da operação, e não apenas os produtores de suínos, de acordo com a regra atual.

Segundo o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do Rio Grande do Sul (Sips), Rogério Kerber, a demanda de todos os setores gaúchos é estimada entre 5,6 e 5,7 milhões de toneladas.

A produção do Estado está prevista em apenas 3 milhões de toneladas, queda de 42 por cento ante o ciclo anterior, prevê o Emater, órgão de assistência técnica do governo gaúcho.

O Rio Grande do Sul terá de trazer cerca de 2,5 milhões de toneladas de milho de outros Estados. Somente o setor de suínos consome em média 1,8 milhão de toneladas, informou Kerber.

A baixa oferta local e os custos maiores com a logística elevam os gastos com o milho. Kerber avalia que os suinocultores gaúchos já trabalham com custos de produção 10 por cento maiores se comparado a outros Estados.

 

Fonte: Abipecs

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