Definida cota para exportações de suínos à Argentina

Por Cesar Felício | De Buenos Aires

O Brasil passará a exportar para a Argentina 3 mil toneladas de carne suína por mês, a partir de abril, anunciou na sexta-feira o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, após reunião com seu colega argentino, Norberto Yauhar, em Buenos Aires. A cota terá validade por três anos e poderá ser aumentada. Ao contrário do que ocorre em relação ao leite, em que existe uma quantia para as importações brasileiras estabelecidas entre os setores privados, desta vez o acordo será entre os governos.

"Quem barrou a entrada de carne suína brasileira na Argentina não foi o setor privado. Por isso, o acordo entre os governos será cumprido com a liberação de guias de importação até atingir o volume", disse Mendes Ribeiro. O modelo de cotas deverá se estender para todo o intercâmbio comercial entre Brasil e Argentina. Yauhar e Mendes Ribeiro trataram especificamente do caso do arroz, em que o Brasil é importador. "Os produtores brasileiros estavam pedindo providência. Podíamos chegar a uma retaliação, mas agora conseguimos baixar o total anual de 1,2 milhão para 800 mil toneladas de arroz argentino", disse o ministro brasileiro. Além de arroz, Mendes Ribeiro mencionou futuros acordos envolvendo produtos como trigo e chocolate.

O setor privado brasileiro reagiu com moderada cautela ao acordo, que deverá ser formalizado até terça-feira. "A média [de embarques] antes da crise estava um pouco acima de 4 mil toneladas mensais. No passado, não aceitamos cota. Hoje se aceitaria trabalhar com uma redução", afirmou Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), que também estava em Buenos Aires, mas não participou da reunião entre os ministros.

As exportações para a Argentina estavam em ritmo crescente desde 2008, quando foram embarcadas 25 mil toneladas de carne suína. Em 2011, as vendas atingiram 42 mil toneladas, o que fez da Argentina o quarto maior mercado para o Brasil, depois de Rússia, Ucrânia e Hong Kong. As vendas renderam US$ 129,9 milhões em divisas. Mas, em fevereiro deste ano, entraram no país vizinho apenas 478 toneladas, ante 3,1 mil um ano antes.

O gargalo aconteceu depois da exigência de uma declaração jurada aos importadores, que em termos práticos, estendeu o regime de licença não automática para todas as vendas e travou o comércio exterior argentino em vários setores.

Uma proposta recente dos importadores argentinos ao secretário de Comércio Interior do país, Guillermo Moreno, de reduzir os desembarques em 20% em relação à média dos últimos quatro anos - ou seja, um patamar de 3 mil toneladas - sequer havia sido respondida. A reviravolta aconteceu quando o governo argentino constatou que a produção doméstica não aumentava no ritmo previsto e haveria desabastecimento.

Ao conversar com jornalistas, Yauhar disse que um fator para que a Argentina retomasse importações era o seu uso como um regulador de preços. De acordo com o ministro argentino, houve aumento de preços da carne suína desde o fim da entrada do produto brasileiro. Em 2011, segundo dados do ministério argentino da Indústria, a produção argentina de carne suína ficou em 320 mil toneladas, o que significa que as importações do Brasil no ano passado corresponderam a 12% da produção local.

Um outro fator pesou na decisão argentina, segundo Mendes Ribeiro: o bloqueio aos derivados de suíno estava afetando as exportações argentinas de pescado ao Brasil. "O mesmo caminhão que leva a carne de porco traz a merluza", comentou o ministro. Segundo dados do ministério, no ano passado o Brasil importou 48 mil toneladas de carne de peixe da Argentina.

Fonte: Jornal Valor Econômico

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