Plano contra a seca chega a Dilma

 

Enquanto falta de chuva é tema de reunião em Brasília, no RS o governador em exercício assina decreto coletivo de emergência

A seca que castiga os gaúchos chegou aos gabinetes do governo federal em Brasília. Enquanto o vice-governador, Beto Grill, estiver assinando o decreto de situação de emergência coletiva no Estado na manhã de hoje, ministros reúnem-se na capital federal para definir recursos federais a serem liberados para socorrer cidades gaúchas e catarinenses atingidas pela falta de chuva. O encontro terá a participação da presidente Dilma Rousseff.

Estarão na reunião no Palácio do Planalto representantes dos ministérios da Fazenda, da Integração Nacional, da Agricultura, da Casa Civil e do Desenvolvimento Agrário, além do Banco do Brasil. Os ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), Paulo Sérgio Passos (Transporte), Alexandre Padilha (Saúde) e Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), além de Humberto Viana, secretário Nacional da Defesa Civil se encontraram no início da noite de ontem para alinhavar o que seria discutido na reunião desta manhã, que vai tratar principalmente das enchentes no sudeste do país.

– O governo federal vai anunciar em seguida, não sei se amanhã (hoje) ou depois, sua parcela de colaboração no combate à seca – adiantou o vice-governador Beto Grill.

Durante a semana, representantes das pastas fizeram balanços diários sobre os estragos da chuvas no Sudeste, as providências adotadas e as que ainda são necessárias. Grupos móveis com representantes do governo foram instalados no Rio, Minas e Espírito Santo para acompanhar de perto os problemas enfrentados pela população. No encontro de ontem, já se decidiu que estes postos móveis deverão continuar em funcionamento até março, período em que se prevê uma redução no volume das chuvas.

Contraste gaúcho às enchentes no sudeste

Em contraste ao excesso de chuva no sudeste brasileiro, cidades gaúchas e catarinenses convivem com cenários de solo gretado, lavouras torrificadas e gado berrando de sede diante de açudes esvaziados. Municípios como Agudo, Nova Palma, Faxinal do Soturno, Dona Francisca, Ivorá e arredores acumulam prejuízos na agricultura.

Em Agudo, os agricultores se afligem com a exasperação. Na localidade de Nova Boêmia, os urubus passaram a sobrevoar a propriedade de Bertílio Martinazzo, 62 anos. Motivo: querem se banquetear com a carniça das carpas mortas à beira do lago.

– Elas começam a boiar na água e, daqui a pouco, estão mortas – espanta-se o produtor.

De manhã cedo, a mulher de Bertílio, Romilda, 58 anos, trata as carpas com milho debulhado e farelo de pão. Recolhe as que já morreram por asfixia, para evitar que o resto de água barrenta fique ainda mais putrefata.

– A carpa é muito resistente, mas a água ficou rasa e esquentou – esclarece Bertílio.

Vizinhos contam suas perdas. A lavoura de milho de Adilson Sieber, 38 anos, em Nova Boêmia, está queimada da raiz até o meio da planta. A parte superior, onde fica o pendão e a espiga, continua esverdeada, mas não aguentará.

– Não se recupera mais, pode até chover – lamenta Adilson, que colherá as espigas murchas e sem grãos para alimentar o gado.

 

Terra dos hermanos
ARGENTINA
O problema na Argentina, no Paraguai e no Uruguai:
- Produtores estão em alerta por causa da seca na Região Central, que ameaça minguar a colheita de grãos e as reservas de gado. A Federação Agrária Argentina (FAA) faz hoje assembleias para pedir um fundo de ajuda extraordinária ao governo.
PARAGUAI
- Há temores de perda total da safra primavera-verão, criando dívidas dos produtores com o sistema financeiro. Cultivos como gergelim, algodão, soja, girassol, milho, feijão, amendoim, mandioca e banana foram afetados, relata o jornal ABC Color. No departamento (Estado) de San Pedro, não chove de forma significativa há mais de um mês.
URUGUAI
- Até agora não se vê nos jornais muita preocupação com a produção agrícola. A maior inquietação se relaciona ao abastecimento de energia. A seca já fez o país aumentar a importação de energia da Argentina e a operação das usinas térmicas.

 

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