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Vencedor Avisulat/2012 Suinocultura

DOSE INSEMINANTE NA FECUNDAÇÃO IN VITRO (FIV) DE OÓCITOS SUÍNOS

Gemelli F. 1, Klein N. 1, Ohweiler L.U. 1, Brogni C.F. 1, Kauling L. 1, Zimmermann A.T. 2, Pinto M.G.L. 1, Mozzaquatro F.D1, Cristani J. 2, Mezzalira A.1.

1 Laboratório de Reprodução Animal Prof. Assis Roberto de Bem, Universidade do Estado de Santa Catarina (CAV/UDESC), Lages, SC, Brasil.

2 Setor de Suinocultura, Universidade do Estado de Santa Catarina (CAV/UDESC), Lages, SC, Brasil.

E-mail: 

mezzalira@cav.udesc.br

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

MATERIAIS E MÉTODOS

 

Ovários provenientes de leitoas abatidas em frigoríficos foram coletados e transportados até o laboratório em solução salina a uma temperatura aproximada de 30ºC. Com o auxílio de uma bomba de vácuo realizou-se a punção dos folículos de 3 a 6 mm de diâmetro. Os oócitos obtidos foram selecionados em líquido folicular, sob lupa estereomicroscópica e maturados em meio TCM 199 suplementado com 0,5mg LH e 0,01UI/mL FSH, 10ng/mL EGF, 25% líquido folicular, 1mM dbcAMP, 2,19mM piruvato de sódio, 0,1mg/mL cisteína e 3,05mM glicose. Com 22 horas de maturação, retirou-se o LH, FSH e o dbcAMP, sendo os oócitos maturados por 19 horas adicionais. Os oócitos maturados foram aleatoriamente divididos e fecundados de acordo com os grupos experimentais. O sêmen foi coletado através da técnica da mão enluvada e mantido a 17°C. A seleção espermática foi realizada pelo método de mini gradientes de Percoll® (45% e 90%). No Grupo 1 utilizou-se 250.000 espermatozóides/mL; no Grupo 2 utilizou-se 187.500 espermatozóides/mL; no Grupo 3 125.000 espermatozóides/mL e no Grupo 4 62.500 espermatozóides/mL. Os oócitos maturados e os espermatozóides foram incubados por 3 horas, em meio de fecundação mTBM. O cultivo foi realizado em meio PZM, suplementado com albumina sérica bovina (BSA) nos primeiros quatro dias e, do quarto ao sexto dia, com BSA e Soro Fetal Bovino. Como critérios de viabilidade foram utilizadas as taxas de desenvolvimento embrionário (mórulas+blastocistos) avaliadas no sexto dia de cultivo. Os resultados foram analisados pelo teste de Qui-quadrado com 5% de significância.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As taxas de produção embrionária (mórulas+blastocistos) foram semelhantes entre os distintos grupos experimentais (Tabela 1).

Tabela 1. Desenvolvimento embrionário após fecundação in vitro de oócitos suínos com diferentes doses inseminantes.

 

 

Os suínos são importantes tanto como animais de produção, quanto como modelo animal para pesquisa. Porém, a aplicação de tecnologias de reprodução assistida nesta espécie não acompanhou o desenvolvimento observado em outras espécies, como a bovina (1). A baixa eficiência da manipulação em laboratório dos gametas suínos, bem como a baixa viabilidade dos embriões suínos produzidos in vitro (PIV) tem limitado a aplicação destas biotécnicas tanto na esfera reprodutiva, como na preservação e multiplicação de animais em risco de extinção. Durante a fertilização in vitro de oócitos suínos observa-se uma grande incidência de polispermia, com a conseqüente diminuição das taxas de desenvolvimento embrionário. Estudos demonstram que as taxas de polispermia estão diretamente relacionadas com o número de espermatozóides no local da fecundação (2). Desta forma, a redução da dose inseminante induz a uma redução da polispermia. Assim torna-se necessário determinar a menor dose inseminante que não afete a produção in vitro de embriões suínos. Este trabalho tem por objetivo comparar as taxas de embriões obtidas após inseminação com doses decrescentes de espermatozóides suínos.

Tratamentos

N

de oócitos

% Mórulas+Blastocistos

250.000 sptz/Ml

 

140

 

22,1

 

187.500 sptz/mL

 

143

 

16,1

 

125.000 sptz/Ml

 

159

 

13,8

 

62.500 sptz/Ml

 

154

 

19,5

 

MURGAS, L. D. S. ; ZANGERONIMO, M. G. ; SILVA, A. C. ; MENEZES, T. A. ; PONTELO, T. P. ; PEREIRA, L. J. Aspectos relacionados à ocorrência da polispermia durante a fertilização in vitro (FIV) em suínos. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, v. X, p. 1-28, 2012.

Após a análise dos dados não foi observado diferença significativa entre as distintas concentrações espermáticas utilizadas na FIV (Tabela 1). Embora alguns autores sugiram que as taxas de penetração e posterior desenvolvimento embrionário sejam afetados pela dose inseminante (3), os dados obtidos neste experimento demonstram que a redução do número de espermatozóides de 250.000 para 62.500/mL não afeta as taxas de desenvolvimento embrionário após fecundação e cultivo in vitro.

CONCLUSÃO

Nas condições laboratoriais acima descritas, a redução da dose inseminante para 62.500 espermatozóides/mL na FIV mantém as taxas de produção embrionária após cultivo in vitro. Sugere-se a avaliação das taxas de polispermia nas distintas concentrações espermáticas, para elucidar se esta é a razão da similaridade dos dados obtidos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DU, Y.; LI, L.; SCHMIDT, M.; BOGH, I.; KRAGH, P. M.; SORENSEN, C. B.; LI, J.; PURUP, S.; PRIBENSZKY, M.; KUWAYAMA, M.; ZHANG, X.; YANG, H.; BOLUND, L.; VAJTA, G. High hydrostatic pressure treatment of porcine oocytes before handmade cloning improves developmental competence and cryosurvival. Cloning and Stem Cells, v.10, p.325-330, 2008.

OBERLENDER, G. ;

ABEYDEERA, L.R. In vitro production of embryos in swine. Theriogenology, v.57, n.1, p.256-273, jan.2002.

(P>0,05).

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